Saltar para os conteúdos
A grande epidemia da tuberculose

A grande epidemia da tuberculose

Assistência Nacional aos Tuberculosos
Assistência Nacional aos Tuberculosos. Sob a protecção de sua Magestade a Rainha / Atelier Jorge Colaço. – Lisboa : Assistência Nacional aos Tuberculosos, 1904.
Cota: BNP CT. 235 G. Cx. disponível em: https://purl.pt/16998

Em finais do século XIX, a rainha D. Amélia desenvolveu todos os esforços para criar uma instituição que pudesse encetar uma acérrima luta contra o flagelo da tuberculose. Assim, em Dezembro de 1899, foram aprovados os estatutos da A.N.T. (Assistência Nacional aos Tuberculosos), que desempenhou um importantíssimo papel no combate nacional a esta doença.

É neste contexto que surge este cartaz, de enorme impacto informativo, que foi largamente divulgado e que, certamente, cumpriu a sua função de luta contra a epidemia. Foi produzido pelo Atelier Jorge Colaço e impresso em Espanha, uma vez que as oficinas nacionais não tinham capacidade para imprimir estes grandes formatos (2,33 m x 1,01 m). Do ponto de vista da sua divulgação é reportado que de imediato, em 1904, foram adquiridos pelo estado 6000 exemplares (a 300 réis cada) que se destinaram a ser afixados nas escolas primárias e que, em 1905, dois exemplares estiveram patentes no congresso internacional sobre a tuberculose, realizado em Paris.

Trata-se do primeiro cartaz que divulga a A.N.T., com uma missão assumidamente de âmbito nacional, encimada pelo escudo português, sob o alto patrocínio da Rainha, tendo em primeiro plano uma figura feminina que simbolicamente remete para a proteção que a instituição oferece. Esta figura feminina segura, na mão direita, uma taça que fumega, aludindo para a assistência alimentar prestada (considerada como uma das medidas fundamentais de combate à doença) e apoia a mão esquerda numa composição central, encimada por uma lamparina sobre as iniciais da A.N.T., que abre para um mapa de localização ladeado por imagens de edifícios de sanatórios, de hospícios, e de outras instituições de acolhimento de luta contra a tuberculose, considerados como: o “Armamento anti-tuberculoso em Portugal”.

São ainda exibidas outras imagens alusivas à doença, tais como: as mãos de um “tísico,” um pulmão saudável por contraponto com um pulmão doente, a imagem de uma face humana com lúpus, uma figura masculina com o “Mal de Pott” e, por contraponto, a imagem de uma figura masculina saudável, legendada com “Um São”.

Um dos maiores símbolos presentes é o “escarrador “ que aparece na parte central e que está presente junto às três imagens de figuras alusivas a doentes com tuberculose, evidenciando a importância que este objeto assumiu como uma das principais medidas de higiene para evitar e combater o contágio. São apresentadas outras imagens elucidativas de alguns dos principais veículos de contágio, tais como: uma mosca, a cauda de um vestido, o cabo de uma enxada, um livro; e a alusão ao alcoolismo e à insalubridade como condições propícias à propagação da doença.

Em termos de mensagens textuais o cartaz exibe uma parte dos estatutos da ANT, artigos 2 a 5, que veiculam os seus principais objetivos, a definição da doença e das suas várias manifestações (sob a composição central), bem como as explicações de como se contrai, como se evita e como se cura (nas margens inferiores).

Apresenta ainda um quadro com dados estatísticos, sob o título: “Frequência da tuberculose”, que contempla informação sobre o número de óbitos em 8 países, no qual Portugal apresenta um valor de 3.800 óbitos por cada milhão de habitantes, situando-se na terceira posição dos países aqui referenciados.

 

Bibliografia:

Rosa, Álvaro Barros (1979) Da A.N.T. ao S.L.A.T.: história sumária da instituição. Lisboa : Serviço de Luta Antituberculosa.