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Roteiros náuticos : a expansão portuguesa em letra de forma

Roteiros náuticos : a expansão portuguesa em letra de forma

Os roteiros náuticos portugueses abriram um novo capítulo na literatura de apoio às artes de navegar, pois acrescentaram à herança mediterrânica dos itinerários em mare clausum, os elementos astronómicos, cosmográficos e meteorológicos indispensáveis à aventura no grande mare liberum, dando resposta às necessidades do ainda incerto trânsito atlântico.

Existem na colecção da BNP algumas cópias de roteiros portugueses manuscritos elaborados ao longo dos séculos XV e XVI, onde se incluem os textos e recolhas de Valentim Fernandes, Duarte Pacheco Pereira, D. João de Castro, Diogo Afonso e Vicente Rodrigues.

Na BNP pode, também, consultar-se a primeira compilação impressa de roteiros náuticos portugueses, feita pelo holandês Jan Huygen van Linschoten (ca. 1563-1611) no seu Itinerario (ed. original de 1596; exemplar BNP ELZ. 275, da ed. de 1599).

Imagem 1 -Folha de rosto de Navigatio ac Itinerarium Iohannis Hugonis Linscotani in Orientalem sive Lusitanorum Indiam…, Haia, 1599
Folha de rosto de Navigatio ac Itinerarium Iohannis Hugonis Linscotani in Orientalem sive Lusitanorum Indiam…, Haia, 1599
[BNP ELZ. 275, http://purl.pt/26734 ]

A elaboração de roteiros náuticos resultava de um processo complexo, estando a recolha da informação expressamente prevista e regulamentada nas instruções emanadas aos pilotos, para além de ser alvo de processamento burocrático e científico centrado no Armazém da Índia. Assim se compreende o aproveitamento, reformulação e melhoria que cada roteiro operava sobre os que o precediam.

O primeiro Regimento náutico impresso em português foi o do cosmógrafo-mor do Reino, João Baptista Lavanha, em 1595 (BNP RES. 576 P.). Mas será ao seu sucessor, Manuel de Figueiredo, que se deverá o início de uma “política editorial” de roteiros, no princípio do séc. XVII, sendo ele próprio autor de obras de grande relevância nesta área, como a Chronographia reportório dos tempos…, de 1603 (BNP RES. 403 P.), ou a Hydrographia, exame de pilotos…, de 1608 (BNP RES. 330//1-2 V.), entre outras.

Imagem 2 - Quadrante in Chronographia reportorio dos tempos…, de Manuel de Figueiredo, Lisboa, 1603
Quadrante in Chronographia reportorio dos tempos…, de Manuel de Figueiredo, Lisboa, 1603
[BNP RES. 403 P., http://purl.pt/29610]

No século XVII seriam também impressos os relevantes trabalhos de Gaspar Ferreira Reimão, Roteiro de navegação da carreira da Índia, publicado em 1612 (BNP RES. 453 P.), de António de Mariz Carneiro, Regimento de pilotos e Roteiro das navegaçoens da Índia Oriental…, de 1642 (BNP RES. 331//2 V.), e de Luís Serrão Pimentel, Arte pratica de navegar : e Regimento de pilotos…, de 1681 (BNP RES. 411 V.).

Imagem 3 - Canal de Moçambique in Roteiro da nauegaçam e carreira da India… de Gaspar Ferreira Reimão, Lisboa, 1612
Canal de Moçambique in Roteiro da nauegaçam e carreira da India… de Gaspar Ferreira Reimão, Lisboa, 1612
[BNP RES. 453 P., http://purl.pt/26207]
Imagem 4 - Foz do Rio Tejo in Regimento de pilotos, e roteiro das navegaçoens da India Oriental… de António de Mariz Carneiro, Lisboa, 1642
Foz do Rio Tejo in Regimento de pilotos, e roteiro das navegaçoens da India Oriental… de António de Mariz Carneiro, Lisboa, 1642
[BNP RES. 331//2 V., http://purl.pt/14184]
Imagem 5 - Relógio equinocial in Arte pratica de navegar : e Regimento de pilotos…, de Luís Serrão Pimentel, Lisboa, 1681
Relógio equinocial in Arte pratica de navegar : e Regimento de pilotos…, de Luís Serrão Pimentel, Lisboa, 1681
[BNP RES. 411 V., http://purl.pt/29614]
 

Durante os séculos XVI e XVII, a abrangência dos roteiros náuticos portugueses foi-se alargando desde as costas atlânticas até ao Índico e ao Pacífico.

No século XVIII, estando largamente cumprido o mapeamento do mar aberto navegado, o esforço de referenciação voltou-se para as massas terrestres a explorar, suas costas e seus rios.

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