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Um autógrafo de Antero de Quental – Tendências Gerais da Filosofia

Um autógrafo de Antero de Quental – Tendências Gerais da Filosofia

Em carta de finais do ano 1889, Antero anuncia a Oliveira Martins – «Para mostrar o meu afecto ao nosso [Eça de] Queirós, comecei a escrever, com destino à Revista [de Portugal], um artigo sobre as tendências gerais da Filosofia na actualidade, coisa sumária: mas o assunto apossou-se de mim, passou a ser quase outra coisa o trabalho e no fim de três meses acho-me tendo produzido um estudo que na revista dará 3 ou 4 artigos, e que depois ampliado será um livro». São, diz na mesma missiva, «ideias, somente expostas por um método impessoal […] e apresentadas simplesmente como induzidas da evolução do pensamento moderno e mais especialmente das tendências filosóficas dos últimos 80 anos».

Dividido em três partes, correspondendo ao mesmo número de artigos publicados na Revista de Portugal entre janeiro e março de 1890, o manuscrito repete o título e a assinatura em cada parte e apresenta paginação sequencial. A caligrafia sugere passagem a limpo até ao início da parte III. Parafraseando Ana Maria Almeida Martins, na nota que antecede a transcrição do texto na edição de 1991, Antero, que fora em tempos «aprendiz de tipógrafo […] esmerou-se para lhes facilitar a tarefa.» Já na última parte, o autógrafo apresenta-se mais apressado e emendado. A atividade intelectual de Antero, então a residir em Vila do Conde, foi nesse período intercalada com efervescente atividade política. Na sequência do Ultimato Inglês, de 11 de janeiro de 1890, foi criada, no Porto, a Liga Patriótica do Norte, de que foi presidente a convite dos promotores.

Coleção Antero de Quental

Antero de Quental (1842-1891) não chegou a realizar o que anunciara a Oliveira Martins ­- ampliar os textos e produzir um livro. Em junho de 1891 parte de Lisboa na companhia das suas filhas adotivas, numa viagem sem regresso para a sua terra natal, Ponta Delgada. Suicida-se em setembro desse ano. O ensaio Tendências Gerais de Filosofia na Segunda Metade do Séc. XIX, um dos raros autógrafos do poeta filósofo que chegaram aos nossos dias é, indiscutivelmente, um dos tesouros bibliográficos da BNP.

O manuscrito, com ex-libris Victor Ávila Perez, foi incorporado por compra nas coleções da Biblioteca Nacional em 1978. Integra hoje os fundos do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, tal como a Coleção de Antero de Quental, constituída em 1997.

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